Minha lista de blogs

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ora, pois!

Não acredito que eu gostava

De arroz com ovo frito

Quando lembro sinto no peito um nó

Esse prato temperado pelas mãos mágicas da minha vó.

Deitado no sofá, atrás de mim à janela

E os sons que entravam dela me faziam acordar.

Com toda preguiça e vontade de dormir

Maior vontade era de brincar na rua.

Sob a luz da lua tantas cantigas de roda

E sorrisos cândidos nos rostos miúdos de todos nós:

Pique-esconde, chicotinho-queimado, pipa ao vento,

fazer cata-vento, apanhar fruta no pé.

Quantos dias, quantas noites de alegrias, de sonhos e aventuras!

Essa infância que recordo é saudosa, mas faz parte acabar.

Por enquanto digo quem dera que eu possa ao menos avistar

E espero ansioso novos dias que eu possa ao menos visitar

Meus próprios anjinhos a saltitar.

E repetir o que minha mãe dizia:

-Ei, menino, tá na hora de entrar!

Vanderson Godoi


Son niños todavía

Son niños todavía, buscan refugio en su actuar, no hay mayor muestra que me lo pueda demostrar, que sus manos pintadas, y sus escasos minutos de receso aprovechados para fatigarse tras un balón.

Se cansan y sueñan, se ilusionan y toman dictado, algunos se asombran con la historia universal, y otros esperan un descanso para escuchar algo de supuesto punk-soft o música emotional.

Protestan si saber porque, gritan con afán desmedido, y se maquillan en una inocencia comprometida, en el refugio de las horas en un salón.

Hay quién estudia y quién no, quién roba y quién no, quién ama a muchas o muchos, y los que aman igual, pero callan.

Son niños, que se escapan de su niñez, que la bordean y la quieren saltar, pero no pueden, porque siguen siendo niños.

Goyette Dos Gallos

http://www.carlosgrego.blogspot.com/

http://www.goyettedosgallos.blogspot

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sorriso da Estrela de Aleilton Fonseca

Recomendo a leitura do conto Sorriso das Estrelas de Aleilton Fonseca. Ele pode ser encontrado no livro Jaú dos Bois (1997) e Desterro dos Mortos (2001).

O conto Sorriso das Estrelas de Aleilton Fonseca desenrola no velório de Estela, uma menina de 13 anos. Pedro, o narrador-personagem-menino, diante da morte de sua irmã Estela evoca lembranças de suas infâncias e apresenta ao leitor pontos dolorosos do passado. São imagens arranhadas que vão sendo reconstruídas ou recuperadas por meio das lembranças evocadas no ato de memorar. A relação dos irmãos é tecida por sentimentos de afetos, mas, também por sentimentos perversos e mesquinhos. Aleilton Fonseca revela sua intimidade com a infância e, de forma bela e sensível, clareia o seu lado oculto que, diversas instâncias sociais da modernidade, como família, escola, pediatria, religião entre outras tentaram esconder sob o manto mitificado da pureza e do angélico. São imagens literárias que permitem imageações que as transfiguram poeticamente por entre solidão, tensões, contradições, afetos, carências paternas e maternas, perversidades, amores. São crianças invisíveis que transitam no mundo adulto como fantasmas que ainda não se fixaram no outro plano, sugerindo uma existência em duas temporalidades passado/presente, infancialidade/adultez. Nesse conto há a promoção do encontro com a alteridade da infância, com a sua interioridade, com a maneira íntima de a criança sentir o mundo e de significar as coisas desse mundo, a infância como acontecimento, experiência e tempo, um infancializar-se. A possibilidade de a infância realizar-se como tempo/existência poética na trajetória criança.

terça-feira, 19 de maio de 2009

SOBRE O CHORO DE MAÍSA

Há dois anos assistimos a atuação de Maísa no programa de Silvo Santos. A sua superexposição é usada para atrair audiência. Por duas vezes a criança chorou no ar, uma por ter recebido uma bronca do Silvio, a outra por medo de um menino mascarado que iria contracenar com ela. Especula-se se o choro foi armação para aumentar a audiência ou se, de fato, a criança chorou como forma de reação as situações vivenciadas.

O que devemos discutir é a veracidade ou não do choro da criança? Ou o fato de Maísa ser uma trabalhadora infantil? Por que o trabalho infantil na televisão não é denunciado e combatido? Por que somente as famílias pobres são denunciadas e expostas na mídia? Todos sabem da existência de crianças no meio rural inseridas como mão de da agroindústria, em minas de carvão como mão- de - obra escrava, nas sinaleiras trabalhando com comércio informal, em residências como empregados domésticos, e nas avenidas sendo prostituídas e todos fingem que não vêem.

A indústria, não só de cigarro, comercializa produtos obtidos com a mão de obra infantil. Na cadeia produtiva o consumidor brasileiro alimenta esse quadro de exploração, e todos fingem que não vêem.

O Choro de Maísa, talvez seja um pedido de socorro. Esse acontecimento traz á baila algumas contradições sócias que valem ser discutidas. Uma delas é o julgamento moral dos pais das crianças pobres por permitirem que elas trabalhem. Deixamos de questionar o trabalho infantil de crianças oriundas de classe sócias médias e altas que trabalham na mídia, por exemplo, como apresentadoras, atrizes, modelos, cantores etc., e todos fingem que não vêem.

O que de fato estamos julgando? O que continuamos a fingir que não vemos

Texto aguardando aprovação em http://www.brasilwiki.com.br/pendentes.php

segunda-feira, 23 de março de 2009

A cyberinfância


Orkut, msn, e-mail, quartos lan hause ,webcamaras ...


A cyberinfância nos faz reafirmar a infância como enigmática, como um acontecimento que nos escapa. Penso nisso sempre que ouço falar sobre a inserção das crianças no cyberespaço. A infância tão protegida do mundo adulto pelos mecanismos de controle social, agora vaza em uma temporalidade e especialidade virtual via cabos, fios e webcamaras. Essas infâncias são vividas por crianças conectadas á esfera digital dos computadores. Assim, próximas e distantes em um mundo paralelo inventam a ceyberinfacialidade.


A inserção da criança no mundo digitalizado carece de ser amplamente discutida em todas as esferas da sociedade. O mundo virtual é real.

sexta-feira, 20 de março de 2009

MIGUILIM

A leitura deste livro é um aprendizado valoroso e rico sobre a passagem criança-adulto. È uma narrativa sensível sobre a infância a partir do olhar da criança.


Vejamos um fragmento do romance

"Pai não bateu em Miguilim. O que fez foi sair, foi pegar as gaiolas, uma por uma, abrindo, soltando os passarinhos, os passarinhos de Migulim, depois pisava nas gaiolas e espedaçava. Todo mundo calado. Migulim não arredou do lugar. Pai tinha soltado os passarinhos todos, até o casalzinho de tico-tico reis que Migulim pegara sozinho, por idéia dele mesmo, com peneira, na porta, na porta da cozinha, uma vez. Miguilim ainda esperou para ver se Pai vinha contra ele recomeçando. Mas não veio. Então Migulim saiu. Foi ao fundo da horta, onde tinha um brinquedo de rodinha d’agua--sentou o pé, rebentou. Foi no cajueiro, onde estavam pendurados os alçapões de pegar passarinho, e quebrou todos. Depois veio, ajuntou os brinquedos que tinha, todas as coisas guardadas─ os tentos de olho de boi e Maria –preta, a pedra de cristal preto, uma carretilha cisterna, um besouro verde com chifres, outro grande, dourado, uma folha de mica tigrada, a garrafinha vazia, o couro de cobra pinima, a caixinha de madeira de cedro, a tesourinha quebrada , os carretéis, a caixa de papelão, os barbantes, o pedaço de chumbo, e outras coisas eu nem quis espiar--- e jogou tudo fora, no terreiro. E então foi para o paiol. Queria ter mais raiva"( ROSA, 2001, p.139/140)


Nessa belíssima passagem, Guimarães descreve um duelo entre o pai e filho, o adulto e a criança. Na destruição física dos brinquedos ocorre o confronto da criança com o pai. Migulim, ao quebrar seus brinquedos simbolicamente mata a criança e faz surgir o adulto que ainda vai ser. Por um instante, torna-se adulto, antecipa o futuro e ultrapassa a margem que o separa do mundo adutizado. Só assim consegue enfrentar o seu pai.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A cegueira da escola

O jornal da Rede Globo transmitido no horário das 13:00 apresentou uma reportagem sobre um aluno de cinco anos que foi torturado por sua professora. Teve sua boca lacrada com fita adesiva. Acredite, aconteceu e ela confessou.

Na sua confissão disse que lacrou a boca do garoto para que ficasse calado na sala de aula. E teve o cinismo de dizer que tal monstruosidade foi resultante de um “momento de fragilidade”. Ao qualificá-la como “ boa educadora”, até pouco instante do acontecido, no mínimo é legitimar a justificativa cínica de que foi “um momento de fragilidade”.

O caso só foi conhecido porque a família denunciou. Era obrigação da escola denunciar e apurar essa atrocidade que ocorreu entre seus muros e paredes. Por sinal, quando os muros e paredes da escola forem derrubados veremos o quanto esta instituição é deformadora de mentes.

As crianças historicamente são silenciadas, o que esta professora fez foi materializar essa condição de subalternidade de forma cruel.

Postado por Tereza às 07:27